JORNAL REALIDADE

Método Canguru: estratégia para recuperação de bebês prematuros

Assistência humanizada estimula desenvolvimento físico e emocional do recém-nascido, além de reforçar vínculo entre mãe e filho
Por: Isadora Picolo 08/07/2016 ás 15:00 - Atualizado em 12/07/2016 ás 11:04
Método Canguru: estratégia para recuperação de bebês prematuros

Os nascimentos prematuros são responsáveis por quase metade das mortes de recém-nascidos no mundo. No Brasil, 11,7% do total de nascimentos acontecem antes de 37 semanas de gestação, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Esses pequenos necessitam de suporte para adquirir peso e condições de sobrevivência, pois são crianças incapazes de mamar e com reflexos baixos que devem ser estimuladas para a recuperação plena das capacidades vitais. Nessa situação, o Método Canguru é de extrema importância para a os prematuros porque garante uma recuperação mais rápida e eficiente ao reduzir o tempo de internação e a necessidade de intervenção em UTIs.

A assistência neonatal humanizada estimula o desenvolvimento físico e emocional do bebê, reduz o estresse, a dor e o choro do recém-nascido; estabiliza o batimento cardíaco, a oxigenação e temperatura do corpo do bebê; ao ouvir o som do coração e da voz da mãe, o bebê fica mais calmo e sereno; aumenta o vínculo mãe-filho; favorece o aleitamento materno; contribui para a redução do risco de infecção hospitalar; proporciona maior confiança dos pais nos cuidados com o bebê e contribui para a otimização dos leitos de UTI. O programa é uma das medidas que complementam o cuidado integral de bebês, assim como a Rede Cegonha - estratégia que oferece atendimento humanizado à saúde das mulheres e crianças até dois anos na rede pública com acompanhamento do pré-natal, parto e puerpério.

Juliana Gonçalves Vieira, deu à luz ao Davi prematuramente no Hospital Materno Infantil (HMI). O nascimento antecipado do filho a pegou de surpresa. “Durante uma viagem que fiz a casa de parentes, senti um forte mal estar e percebi que poderia ser algo com meu bebê. Passei por um período muito difícil depois que ele nasceu, mas recebi todos os cuidados que precisava aqui no hospital. A equipe que me atendeu foi maravilhosa”, disse, emocionada. Já no caso da dona de casa Sirlene Bento Moura, de 31 anos, a hipertensão arterial foi a causa do parto da pequena Emanuele Vitória antes do previsto. A mãe contou que teve medo de perder a filha. “Os médicos que me atenderam foram muito bons”, revelou a mãe.

Médica neonatologista do HMI e também coordenadora estadual do Método Canguru, Maria Bárbara Franco afirma que o método Canguru é a assistência humanizada ao recém-nascido de baixo peso (menos de 2,5 quilos) e consiste em estímulo ao empoderamento da família participando dos cuidados dos bebês mesmo que necessitem de longa permanência de internação hospitalar. “Assim, nós os preparamos para o cuidado a nível domiciliar, que ocorre mais precocemente quando utilizamos o método. Ele envolve o contato pele a pele no qual o bebê permanece na posição canguru com seus pais e familiares pelo tempo em que ambos acharem prazeroso e beneficia o ganho de peso, estimulando o aleitamento materno já que o leite da própria mãe é o melhor alimento para ele”, frisou a especialista. Ela afirma que apoia o método por acreditar ser a melhor estratégia de assistência - baseado em evidências científicas - aos recém-nascidos, que são extremamente vulneráveis.

Por meio do HMI, Goiás é referência em oferecer atenção especializada à mãe e ao bebê prematuro. Assim, entre as ações para reafirmar o protagonismo, o hospital promove frequentes cursos de capacitação para os profissionais que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Infantil e Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional (UcinCO) com o objetivo de atualizar os conhecimentos na prática diária com o programa. Amanhã, quarta-feira (13 de julho), o HMI receberá a visita do consultor nacional do método Canguru do Ministério da Saúde, Sérgio Marba. O objetivo da vinda ao hospital é avaliar a aplicação do programa voltado ao tratamento e acompanhamento de bebês prematuros na unidade. Se constatar sistemática adequada, o HMI receberá uma placa que atestará a unidade como referência estadual no serviço. Durante a tarde, ele percorrerá a UcinCO e Ucin Canguru (UcinCA) da unidade. No dia seguinte, quinta-feira (14 de julho), a partir das 8 horas, Marba participará de roda de conversa no auditório do HMI sobre os benefícios do método canguru com a presença dos tutores do método no estado e de colaboradores do hospital. O envolvimento e sensibilização da equipe é imprescindível para a aplicação do programa e melhoria dos indicadores de qualidade assistencial.

Fluxo - Após receberem alta das UTIs ou Ucin, os bebês necessitam do atendimento no Projeto Canguru para terem condições de receber alta hospitalar definitiva. A Ucin do HMI tem função estratégica dentro da unidade para a assistência de média e alta complexidade em Neonatologia. No hospital, o trabalho é desenvolvido na UCin Canguru, onde as mães são orientadas e permanecem junto aos bebês, que recebem aquecimento direto do corpo materno e todo o suporte multiprofissional necessário para o ganho de peso, crescimento e condições de alta.

“Esse contato direto, além de ser muito confortável à criança, remete à sensação de estar novamente dentro do útero da mãe, pois ele consegue sentir os batimentos cardíacos dela, o seu calor e a movimentação da sua respiração. Isso é muito importante, pois os prematuros costumam apresentar apneia e, com isso, esquecem de respirar com a frequência necessária. Daí, naturalmente eles se recordam”, lembra Maria Bárbara.

Panorama - Atualmente, o HMI faz parte das unidades de saúde que desenvolvem o Programa - conforme portaria 1.683 do Ministério da Saúde, de 12 de julho de 2007 - ao utilizar uma abordagem terapêutica peculiar para o tratamento e acompanhamento de bebês prematuros. O Brasil conta com 175 hospitais que adotam o Método Canguru. Ao todo, há 35 centros de referência sendo 5 nacionais e 27 estaduais.

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