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Estação de Tratamento de Água Mauro Borges entra em funcionamento e vai duplicar oferta de água para a Grande Goiânia

Serão atendidos imediatamente, por exemplo, setores como Jardim Guanabara, Negrão de Lima, e o condomínio horizontal Aldeia do Vale
Por: 12/09/2017 ás 09:49 - Atualizado em 12/09/2017 ás 09:49
Estação de Tratamento de Água Mauro Borges entra em funcionamento e vai duplicar oferta de água para a Grande Goiânia

A Estação de Tratamento de Água (ETA) Mauro Borges, que integra o complexo do Sistema Produtor Mauro Borges, entrou em funcionamento para complementar a produção de água tratada para Goiânia e região metropolitana. Antes atendidos pelo Sistema Meia Ponte, 41 bairros da Região Norte de Goiânia receberão um aporte na oferta de água em 1000 litros por segundo da nova Estação. A previsão era iniciar o funcionamento no dia 19 de setembro, ação antecipada com objetivo de minimizar os problemas decorrentes do déficit no abastecimento, causado pela escassez de chuva em Goiás e em toda a região central onde está o cerrado brasileiro. Neste primeiro momento, a água captada na barragem do Reservatório do Ribeirão João Leite – que armazena até 130 bilhões de litros de água numa área de 1040 hectares- começará a ser tratada e distribuída, chegando diretamente às torneiras de cerca de 600 mil pessoas em Goiânia.

Serão atendidos imediatamente, por exemplo, setores como Jardim Guanabara, Negrão de Lima, e o condomínio horizontal Aldeia do Vale. Uma segunda interligação deverá ocorrer até o final do mês de setembro, atendendo outros 70 bairros da Capital. Com isso, a tendência é que a água disponível no Meia Ponte seja suficiente para atender as regiões mais distantes.

De acordo com o presidente da Saneago, Jalles Fontoura, esta etapa garante, efetivamente, a produção de água pelo sistema cujo manancial de abastecimento é o Ribeirão João Leite. “O desafio, na sequência, é levar esses 4 mil litros para toda Grande Goiânia. E inicialmente, o sistema existente com as suas adutoras e redes já podem atingir 600 mil pessoas”, explica.

Construção do Linhão
Este complexo suprirá apenas uma pequena parte da demanda de consumo de água da cidade conurbada, Aparecida de Goiânia, a região próxima ao Morro da Serrinha. Atualmente, 70% da população da cidade têm acesso à água tratada e 24% têm cobertura de rede de esgoto. O presidente esclarece que a população aparecidense só contará com a universalização do serviço de água e esgoto em 2019, para quando estima-se a conclusão da obra denominada ´Linhão´, a última fase do complexo.

Trata-se de uma rede de interligação do Sistema Mauro Borges ao Leste de Aparecida de Goiânia, próxima à BR-153. O projeto está orçado em R$232 milhões, sendo 25% correspondente à contrapartida do Estado de Goiás. A Saneago busca financiamento e já apresentou cartas-proposta para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e aguarda resposta para dar início ao processo de licitação e posterior execução da obra.
Abastecimento até 2040
O Sistema Mauro Borges inicia as atividades com a vazão de 4 mil litros por segundo. O desafio, como aponta o presidente é estender esses 4 mil litros por segundo para a Grande Goiânia. Aos poucos, o Rio Meia Ponte – que abastece mais da metade de Goiânia com 2,3 mil litros por segundo, – será destinado ao abastecimento das cidades de Trindade e Goianira, com o remanejamento de uma vazão excedente de 680 l/s. Parte dos municípios já é abastecida hoje por esse manancial.

O Sistema Mauro Borges foi projetado para atender a população de Goiânia até 2040, quando terá dobrado a vazão atual, alcançando a marca de 8 mil litros por segundo para atender 3 milhões de pessoas na Região Metropolitana de Goiânia.

O governo estadual, em parceria com o federal e organismos financeiros internacionais, investiu, cerca de R$ 1 bilhão na obra, realizada em duas etapas. A primeira, iniciada em 2002, foi a construção da Barragem do Ribeirão João Leite.

A segunda, que entrou em pré-operação em dezembro de 2016, compreende a Estação Elevatória de Água Bruta, a Estação de Tratamento de Água e milhares de metros de adutoras e redes de distribuição.

Risco de falta d’água
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não chove em Goiânia desde 21 de maio de 2017 e a previsão para a chegada das próximas chuvas é somente para a segunda quinzena de setembro. Neste período de estiagem, o risco de falta d´água está presente no Sistema Meia Ponte, cujo nível do reservatório baixou consideravelmente. A Saneago realiza trabalho de conscientização com produtores rurais que utilizam a água do leito do rio para atividades de irrigação, por exemplo, para que façam o uso racional e comedido do recurso natural.
“O nosso risco tem o nome de Meia Ponte, que fornece 2,5 mil litros por segundo, abastece mais da metade de Goiânia e está com a vazão em grande redução em função de ter outras retiradas de água acima da captação de água da Saneago. Estamos trabalhando muito com a Secima, com as pessoas que têm pivôs para acontecer uma redução para que tenha a prioridade do uso da água para o consumo humano”, diz o presidente. Ele faz um apelo para que as pessoas moderem o consumo de água para superar essa fase considerada crítica do mês de setembro, que afeta o Meia Ponte.

Aparecida de Goiânia
Em Aparecida de Goiânia, ocorrem casos pontuais de falta d’água nesta época do ano como no Setor Independência Mansões e bairros circunvizinhos. Segundo o presidente Jalles Fontoura, nessa região, 20 mil consumidores são abastecidos por 20 poços tubulares profundos, mas ele assegura que esse sistema está sendo reforçado com mais dois poços tubulares e no caso de falta, cinco caminhões-pipa vão atender à demanda.

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