Imprimir

Pastor Sílvio Galli - Igreja Batista Água Viva

pastor-silvio-galliEntrevista concedida à Revista Vinha

José Sílvio Galli, 52 anos, é casado há 25 anos com Mírian Martins Galli, com quem tem dois filhos, Talita, 17 anos, e Davi, 7 anos. Ordenado em 1993, é pastor presidente da Igreja Água Viva em Mauá, São Paulo. Em 18 anos de ministério, escreveu sete livros, entre eles, “Reacendendo a chama do Espírito” e “A explosão da Glória”, esse último lançado em fevereiro deste ano. Membro do Conselho Apostólico da VINHA, já implantou mais de 10 igrejas e hoje supervisiona 71.

Quando o senhor se filiou à VINHA? Qual tem sido o impacto do mentoreamento da VINHA em sua igreja e ministério?

Tive o prazer e a alegria de conhecer o pastor Aluízio em 1999. Naquele ano, participei da primeira conferência da Videira realizada no ginásio do bairro Jardim América, em Goiânia. Senti que Deus estava gerando uma conexão espiritual entre nós e a Videira naquela conferência. Daquele momento em diante, comecei a me aproximar do pastor Aluízio, comecei a segui-lo sem que ele me conhecesse. À medida que fui me aproximando e ele foi me conhecendo, sentimos o testificar em nosso espírito e, em 2002, ele aceitou nos mentoriar. A partir daí, entrei em um novo nível espiritual, a minha vida espiritual foi totalmente impactada. Como resultado dessa transformação, nossa igreja, que era tradicional, foi avivada e transicionada para as células. Com a visão alargada e novas estratégias, nossa igreja saiu dos 300 membros que tínhamos em 1999 e foi para 5 mil em 2007, ano em que multiplicamos a igreja. Hoje somos 55 igrejas fruto da multiplicação da igreja local de Mauá. Louvo ao Senhor porque minha relação com a VINHA tem se estreitado a cada dia. Atualmente sou membro do conselho apostólico e tenho o privilégio de supervisionar 71 igrejas.
 
Como tem sido os projetos de plantação de igrejas na IBAV?

Plantar igrejas é algo que já estava em nosso coração há muito tempo. Quando o pastor Aluízio lançou o projeto Videira nas capitais, em 2004, sentimos que precisávamos plantar igrejas também. No início, porém, não tínhamos a mesma visão da Videira de sermos pioneiros e estarmos à frente. Plantávamos igrejas de uma maneira tímida, por meio da multiplicação da igreja para regiões vizinhas. Mas sabíamos que estava na hora de começar a plantar de uma maneira mais rápida e agressiva, contudo ainda não sabíamos como fazer isso. Com a vinda do pastor Sritawong Phitsanunart para a Conferência Internacional da Vinha, em 2009, fomos despertados como igreja. Ele foi um agente de Deus para gerar em nós um novo espírito nessa questão de plantação de igrejas. Avançamos tanto que em 2010, abrimos mais de 20 igrejas, em São Paulo (capital), em Marília, em Campinas, em Presidente Prudente, em São José dos Campos, Ribeirão Preto, Foz do Iguaçu e até na Argentina. No ano passado, abrimos mais igrejas do que em 5 anos. O nosso alvo é plantarmos 15 igrejas neste ano. Faremos isso através do enviou de pastores, obreiros e até mesmo discipuladores. Temos o alvo de chegar a 100 igrejas até 2020.

O trabalho com crianças da Igreja Batista Água Viva é um dos maiores da VINHA. Ele é referencial entre as igrejas associadas. Que fatores explicam esse crescimento e esse destaque?

Hoje, somente em Mauá, temos 3302 crianças e juvenis nas células, 360 líderes e 7 pastoras do ministério infantojuvenil, fora as crianças e as células das igrejas multiplicadas. Eu atribuo esse crescimento a pelo menos dois fatores principais. O primeiro é a cobertura espiritual da pastora Márcia. Creio que a rede Radicais Kids e Juvenis acompanhada por ela é a maior rede de células de crianças e juvenis do Brasil. Pode até ser que exista uma rede maior, mas eu ainda não conheço e nem ouvi falar, o que é difícil uma vez que estamos sempre lidando com pastores e igrejas no Brasil todo. O segundo aspecto eu atribuo à minha esposa, pastora Míriam. Deus colocou algo dentro dela que é comovente. Ela possui uma paixão diferenciada pelas crianças; ela fala de crianças e se emociona. Ela contagia as irmãs da igreja com esse encargo. Ninguém consegue ficar perto dela por mais de dois minutos e não se dispor a liderar uma célula de crianças. O trabalho com crianças, a Rede Radicais Kids, começou em nossa igreja em 2003. Organizamos a rede e todas as irmãs foram se envolvendo. Hoje a rede de crianças não tem alvos, mas limites, porque crescem demais. Minha esposa inclusive tem um blog, miriangalli.blogspot.com, no qual coloca materiais para trabalhar com crianças, vídeos com testemunhos, biografias de crianças que fizeram história, entre outras coisas. O blog dela foi até eleito pela Revista Veja como um dos melhores do Brasil.

Como mudar a mentalidade dos pais e da igreja em relação às crianças? Como o senhor forma uma mentalidade correta em relação à próxima geração em sua igreja?

Infelizmente, muitas igrejas não valorizam as crianças. Como estas não possuem renda, as igrejas as consideram um empecilho que somente gera gastos. Essa é a visão mercantil que boa parte das igrejas evangélicas possui. Certa vez, um pastor nosso viu um salão que desejava alugar para a igreja. Quando fui ver o lugar, perguntei onde estava o espaço das crianças e ele me respondeu que não havia esse espaço, então eu disse a ele que aquele prédio não podia ser alugado, porque tinha que ter o lugar das crianças. Em muitas igrejas, as crianças são consideradas obstáculos e impedimentos para a obra. Mas minha mulher costuma dizer: “Quando você ganha um adulto, você ganha uma vida pela metade, uma vez que ele já viveu muito até chegar ali. Mas quando você ganha uma criança, ganha uma vida por completo, uma vez que ela vai ter a vida inteira para servir ao Senhor”. O que precisa ser feito é mudar a mentalidade dos líderes. O que eu faço em minha igreja é valorizar as crianças a ponto de dar o melhor para elas. Existem igrejas que nem trabalham com crianças, outras dão o pior para elas, dão o que sobra. Eu faço justamente o contrário, dou o melhor. Como igreja, damos para elas o melhor prédio e tudo que podemos dar de melhor. O melhor ministro que eu tinha dei para as crianças, que é a minha esposa. Quando eu, como pastor presidente da igreja, valorizo o ministério infantojuvenil, a igreja acaba vendo e valorizando também.

Como o senhor enxerga a responsabilidade de formar uma geração de vencedores desde a infância? Ela é apenas dos pais? Qual o papel da igreja nessa formação?

Acho que o papel preponderante da igreja é educar os pais para os pais educarem as crianças. Não podemos inverter os papéis. Gerar e formar uma criança vencedora é papel dos pais. Infelizmente, na experiência de nossa igreja local, a maioria dos pais das crianças que estão em nossas células não são crentes. Então a igreja acaba tendo que realizar um papel duplo, fazer o papel dela e dos pais também.

E de quem é a responsabilidade de formar discípulos desde a infância, da igreja ou dos pais?

O papel de discipular os filhos é dos pais. Os pais que estão na igreja devem ter o entendimento que seus primeiros discípulos são seus filhos, isso é básico. Entretanto, esse discipulado além da família é algo inovador, um verdadeiro desafio. O Senhor nos mandou fazer discípulos e nesse mandamento ele não determinou a faixa etária deles. Quando a Videira começou a fazer Encontros para crianças e juvenis, as pessoas duvidaram, acharam que não era possível dar certo. Mas foi algo que frutificou e que deu muito certo. A questão do discipulado com crianças e juvenis é algo novo também. Mas se Deus está nos levando a trabalhar forte com discipulado e fortalecer isso no Brasil, porque não fazer o mesmo com as crianças. No Salmo 78.5-7, versículo que é o tema da Conferência Vinha Kids 2011, vemos que não somente os pais, mas a igreja também é responsável em transmitir o que temos recebido para a próxima geração.

O que o senhor acredita que a igreja deve fazer para que o mover de Deus que experimentamos e vivemos hoje não se perca?

Em primeiro lugar, eu acredito que devemos conscientizar os pais de que as crianças também precisam se encontrar com Jesus através do novo nascimento. Depois, precisamos ensinar os pais a cultivar uma vida de devocional e a ensinar os seus filhos a fazer o mesmo. E por último, necessitamos frequentemente de renovar nosso encargo para que os nossos filhos vejam em nós a paixão, a unção e o fervor espiritual e, assim, recebam nosso legado.

Quando o assunto é evangelismo, muitos deixam de incluir as crianças. Por que isso ocorre?

Somos uma igreja que veio da reforma protestante, mas que na verdade, por estarmos no Brasil, possui muitas raízes católicas. E a igreja católica ensina que as crianças são salvas pelo sacramento do batismo. Precisamos remover essa mentalidade do nosso meio e nos conscientizar de que todos precisam nascer de novo para entrar no Reino dos céus, inclusive as crianças. A criança precisa nascer de novo. À medida que ela tem consciência do pecado, ela tem a necessidade de ter a experiência do novo nascimento, senão ela não é salva.

Quando acontece a Conferência Água Viva Kids, qual o objetivo dela e quem pode participar?

A conferência Água Viva Kids acontecerá de 26 a 28 de agosto, e o tema este ano é Discipulando crianças, discipulando famílias. A primeira conferência foi realizada em 2005. Atualmente cerca de 1500 pessoas participam dela, irmãos vindos de várias partes do estado de São Paulo e de outros estados também. O principal objetivo dessa conferência é despertar discípulos de Jesus para que eles possam liderar célula de crianças e juvenis. Eu converti na Rede Radicais Kids e Juvenis e hoje sou obreiro na Videira em Goiânia, sou fruto desse trabalho.

Como o senhor acredita que será a repercussão desse trabalho com crianças e juvenis daqui a alguns anos em sua igreja?

Em nosso ministério infantojuvenil, trabalhamos com muitas crianças carentes, damos comida, reforço escolar, etc. Não tenho expectativas para o futuro no sentido de tê-las como os próximos pastores. O meu objetivo é trazer esperança para essas crianças em Jesus. Não sei exatamente em que redundará esse trabalho, mas Jesus disse que não podemos ser empecilho para que o evangelho chegue às crianças e é com isso que me preocupo. Posso até ser criticado por não ser visionário, mas o que acontecerá com essas crianças só o Senhor sabe. A única coisa que fazemos é investir nessa próxima geração e esperar para ver o que Deus fará. O que posso dizer é que quando uma criança é liberta e salva, nos emocionamos muito. Nossa alegria é vê-las restauradas. Fazemos um investimento sem esperar retorno para a igreja, seja como pastores ou como membros que investirão na obra. Minha alegria é abençoá-las e fazer o que Jesus mandou.

O senhor gostaria de deixar uma mensagem para os leitores da Revista VINHA?

Quero agradecer pela oportunidade de poder compartilhar o que Senhor nos tem dado aqui em Mauá. Eu sempre estive na VINHA como um aprendiz. Tudo o que eu sei hoje aprendi com a Videira e com os pastores da VINHA, e no ano passado, tive a oportunidade de participar da Conferência Vinha Kids como um preletor, o que foi uma grande honra para mim. Somos uma igreja associada, mas temos recebido tudo que o Senhor tem dado para a Videira em Goiânia e para as igrejas da VINHA. Para os leitores da Revista VINHA, gostaria de deixar a seguinte mensagem: “Deus está esperando uma atitude nossa em relação às obras do diabo contra as crianças. O povo de Deus precisa se levantar para investir nesse trabalho, abrir células e ver crianças serem transformadas”. Meu desejo é que o Senhor desperte muitas pessoas com encargo por esse ministério em todos os lugares desse Brasil como tem despertado em minha igreja.