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Pastor Marcelo Almeida

pastor-marcelo-almeida“Começamos a trabalhar com células como resultado de um profundo anelo pela presença de Deus e por uma estrutura que permitisse crescimento espiritual e o crescimento da Igreja.”

“Tínhamos um altíssimo padrão de santidade, devoção e paixão por Jesus. E queríamos uma obra prática, que causasse impacto nesta geração.”

“A plantação de igrejas em certos lugares ganha características muito mais duras e desconfortáveis. Poucos enfrentam o teste de começar do nada.”

“A obra tem avançado numa velocidade que me assusta e acredito que o alvo de 100 igrejas da Vinha Internacional até 2020 será superado até 2015.”

“O mais duro é trombarmos de frente com a ideologia venenosa do individualismo nos países do primeiro mundo. Os  crentes desses países tiveram seu cristianismo moldado por essa ideologia e nem perceberam.”

“É um desafio para quem está acostumado a ir a encontros com centenas de pessoas a cada semana perceber as coisas finas e dificílimas envolvidas na conquista das nações.”

Marcelo Oliveira de Almeida, 47 anos, é casado há 22 anos com Walneide, com quem teve três filhos: Pedro Rafael, Guilherme e Timóteo. Converteu-se em 1976, aos 12 anos. Foi ordenado pastor em 1988. É mestrado em Teologia pelo Wagner Leadership Institute de Colorado Springs, Califórnia, EUA, e também doutor em Ministério pela Vision University. Atualmente, é o responsável pela VINHA Internacional e acompanha 30 obras, entre igrejas e iniciativas missionárias, em 12 países.

O que o levou a iniciar em 1988 o trabalho com as células? Como conheceu a visão e que referências utilizou para colocá-la em prática?

A verdade é que começamos a trabalhar com células em 1984, como resultado de um profundo anelo pela presença de Deus e por uma estrutura que permitisse crescimento espiritual, comunhão entre os membros e o crescimento da Igreja. Lemos um livro sobre “Grupos Familiares”, escrito por Paul Yonggi Cho, que descrevia seu testemunho e como chegou a ter a maior igreja do mundo em Seul, na Coréia. Na época, essa ideia de grupos familiares fez enorme sucesso no Brasil e virou uma febre entre as igrejas. Todo mundo fazia, mas não funcionava, pois era apenas mais uma das muitas atividades nas igrejas convencionais.

Nada se sabia acerca dos aspectos sensíveis na prática das células e, apesar da empolgação, não havia igrejas no Brasil que conseguiam fazer das células o seu paradigma estrutural. Em 1984, eu comecei uma célula que teve enorme êxito, mas não era um projeto com consequência, uma visão. As coisas não avançavam e paramos para buscar em Deus o que faltava. Não havia livros escritos tratando do modelo, do funcionamento, da transição para as células. Pior, não havia referenciais próximos em que os “Grupos Familiares” funcionassem mesmo. Naqueles dias não existia uma visão pronta, nem se usava essa terminologia.

Ao persistir e insistir em aprender do Senhor, Deus me mostrou alguns fatores cruciais. Primeiro: As células são uma estrutura frágil; se tivéssemos concorrência com muitas programações da igreja, as células não sobreviveriam. Assim, fizemos das células nossa coluna vertebral. Tudo começou a acontecer a partir das células e para as células. Segundo: Deus mostrou nosso clericalismo doente que centralizava em nossas mãos, dos pastores, tudo o que estava relacionado à obra do Ministério. Se os membros não fossem liberados e treinados para terem iniciativa própria, não haveria células. Terceiro: Se houvesse genuíno mover de Deus nas células, se fôssemos saudáveis espiritualmente, as pessoas viriam e ficariam. Em poucos anos crescemos de poucas centenas para mais de quatro mil membros. Essa experiência foi a pioneira de células que funcionaram no Brasil.

Como foi o início da Videira, junto com o pastor Aluízio?

Vivemos a experiência de um maravilhoso mover de Deus, de treinar líderes eexperimentar crescimento numérico, juntos, como pastores auxiliares em outra igreja. Isso foi o resultado de uns dez anos de investimento intenso, mesmo sem sermos ordenados ao ministério. Infelizmente, foi impossível permanecer na estrutura em que estávamos sem comprometer o chamado de Deus e Seu propósito. A saída foi nos desligarmos da maneira mais honrada possível. Eu saí primeiro, estando ainda em Portugal, o Aluízio saiu um ano depois. Eu plantei a Missão Cristã Internacional, que nasceu antes da Videira, e hoje, graças ao trabalho do pastor que deixamos ali, é uma das maiores Igrejas de Portugal. No Brasil, o Aluízio foi liberado pela antiga igreja para começar um “Núcleo” com os irmãos que moravam na região. No meu retorno de Portugal, já preparando para irmos para São Paulo, em 1999, registramos então a “Videira”. A primeira Revista que comecei tinha o nome de “O Fruto da Vide”, o que mostra que o nome Videira tinha a ver com a nossa história desde o início. Ele foi sugerido pelo Naor, achamos diferente do usual e adotamos! Videira expressava nossa identidade como uma igreja de restauração.

Este ano o senhor completou 22 anos de ministério. Quais foram os momentos decisivos e fundamentais neste tempo para o senhor chegar até aqui?

Minha vida foi talhada por pessoas que Deus colocou estrategicamente em meu caminho, pelo investimento delas e por decisões que tomei. Acredito que minha decisão de fazer a Escola Bíblica mudou minha vida para sempre. A inspiração, desafio e oportunidade dadas pelo pastor Sinomar Silveira, da Igreja Luz Para os Povos, foram decisivos. O sonho dele de “uma grande obra” incendiou nossos corações. O fogo e a paixão do pastor Robson Rodovalho, da antiga Comunidade Evangélica de Goiânia, contagiou-me definitivamente. Ele foi a principal pessoa no meu ministério, porque deu-me a identidade e percepção de que podíamos fazer o que ninguém fizera antes. A amizade e o amor fraternal do Aluízio também foram decisivos. Tínhamos um altíssimo padrão de santidade, devoção e paixão por Jesus. Mas, além disso, queríamos uma obra prática, que causasse impacto nesta geração.

Antes mesmo de sermos Videira, o senhor já tinha tido experiências de plantação e envio quando foi para Santarém e Portugal. Como estas experiências contribuíram para o início do processo de plantação da Videira no Brasil e no exterior?

Meu envolvimento nas “entranhas” da Igreja, a oportunidade de participar dos acertos e erros dos líderes que vieram antes de mim e ir com “a cara e a coragem” para esses lugares que você mencionou, deram-me uma percepção prática e clara acerca da plantação e crescimento da Igreja. Deus deu-me um “olho clínico” para enxergar a estrutura, a liderança e os processos necessários para o êxito de uma obra. Acredito que a unção para o propósito conduziu-me a isso, para me preparar para esse projeto pioneiro e para a plantação de igrejas nas nações.

Podemos dizer que o senhor também foi pioneiro na criação de Escolas Bíblicas à distância. Como o senhor vê a importância desse treinamento na formação de líderes e no avanço da plantação de igrejas?

Até hoje, Deus tem me usado para estabelecer novas estruturas. O Cursão, lá nos primórdios, foi resultado de uma direção direta de Deus. Plantei até hoje 10 Escolas Bíblicas, inclusive a de Santarém e a nossa em Goiânia, e acredito que o treinamento de uma liderança apaixonada é a chave. É muito mais que ter uma Escola Bíblica ou um Seminário Teológico, trata-se de despertar uma liderança apaixonada e com uma missão existencial. Nossos alunos são tão ou mais apaixonados pelo Reino do que nós. Estamos vivendo um momento chave, em que a Videira e a Vinha podem se tornar uma “Obra Geracional”, isto é, sermos como Igreja, uma voz nesta geração e deixar algo para marcar as próximas gerações. Vamos viver uma explosão de crescimento e avanço para a Glória de Deus.

O que determinou sua ida para São Paulo?

Quando fomos para Portugal, deixamos gravados em vídeo cinco matérias do Curso de Maturidade no Espírito. Uma irmã da nossa igreja foi convidada para ser Diretora de Programação em uma televisão de São Paulo. Sem que eu soubesse, ela me colocou no ar em cinco horários diários e houve uma explosão! O formato daqueles vídeos era bem informal, intimista e profundo. Era muito diferente daquela coisa de pastor com cara religiosa, linguagem formal e rebuscada. A primeira vez que fui convidado pela emissora de televisão para ministrar havia 2 mil pessoas. Os desdobramentos aconteceram e assim plantamos a Videira no Estado de São Paulo.

O que levou o senhor a ir para a Flórida?

Tenho uma característica diferente da maioria dos pastores: quando tudo fica bem e estável, para mim, fica desconfortável. Embora tenhamos foco firme no crescimento da Igreja, a plantação de igrejas em certos lugares ganha características muito mais duras e desconfortáveis. Poucos enfrentam o teste de começar do nada. Fui para a Flórida por dois motivos: o primeiro é que o pastor Wilson é muito melhor estruturador do que eu e está fazendo um trabalho em São Paulo melhor do que eu faria. Tenho perdas enormes com essas mudanças: perco a posição de prestígio, o controle dos recursos e relacionamentos que me são caríssimos. Investi minha vida, família e ministério em Goiânia, Santarém, Portugal e São Paulo. O segundo motivo foi por concluir que eu era a pessoa mais experiente e estratégica para o desafio da obra internacional que tínhamos na VINHA. Foi uma questão estratégica dirigida por Deus.

Hoje o senhor pastoreia a igreja na Flórida e acompanha mais de dez obras nos EUA e outras dez na América do Sul: oito no Peru, uma na Colômbia e outra começando na Argentina. Além disso, acompanha também cinco igrejas na Europa – Portugal, Alemanha, França, Bélgica, Espanha – e as iniciativas missionárias na Angola e no Japão. Como está o trabalho nestes locais e quais as maiores dificuldades enfrentadas nestes
países?

O maravilhoso é que o trabalho de Deus flui e temos apenas que “surfar na Sua onda”. Temos muitas igrejas sólidas e muitas obras missionárias nesses países. A obra tem avançado numa velocidade que me assusta e acredito que o alvo de 100 igrejas da Vinha Internacional até 2020 será superado até 2015. Hoje já são trinta obras! Acreditamos que veremos nos próximos anos um grande avanço em Atlanta e na Flórida. Em Bruxelas, a pastora Beatriz, em um gesto honroso e nobre, solicitou que fizéssemos de lá um forte centro de treinamento e avanço enviando o pastor Keler de Goiânia. No Peru, o pastor Luis Alberto é o nosso general para a América Latina. É simplesmente impressionante o que Deus tem feito naquele país. A partir de Cusco já fomos para a capital e para várias outras cidades. O próximo momento será irmos para outras nações latino americanas.

Cada lugar representa um desafio diferente. O mais duro é trombarmos de frente com a ideologia venenosa do individualismo nos países do primeiro mundo. Temos que vencer o ceticismo, a indiferença e a frieza. Os crentes desses países tiveram seu cristianismo moldado por essa ideologia e nem perceberam. Para que uma igreja seja viva, crescente e poderosa, essa barreira terrível deve ser vencida. Outro enorme desafio é a falta crônica de recursos. Neste exato momento preciso de $ 25.000,00 (vinte cinco mil dólares) para diversos pontos de necessidade. Se fôssemos falar em resolver certos problemas estratégicos precisaríamos de $ 4.000.000,00 (quatro milhões de dólares).

Em que consiste o trabalho da Vinha Internacional?

Pastoreamos os pastores, fazemos uma reciclagem a cada três meses com a equipe em cada região, com foco na liderança, na prática das células e na revelação na Palavra. Desenvolvemos a cada semestre um projeto de avanço, crescimento e conquista com cada pastor local. Acompanhamos e supervisionamos esses projetos, e estamos juntos com essas igrejas para eventuais urgências. Acompanhamos a abertura das Escolas Bíblicas e temos uma Conferência anual em cada um desses lugares. O treinamento estratégico de alunos internacionais e seu envio para os países de origem também é um projeto pioneiro e outra frente de trabalho que realizamos.

E os seus alvos para a Vinha Internacional?

Precisamos ter igrejas locais que se tornem referência de avanço e conquista nos  Estados Unidos, Europa e América Latina. É mais que crescimento, é termos de Deus as chaves certas para um evangelismo que funciona. Não estamos fora do Brasil para plantar igrejas brasileiras e reproduzir guetos de refúgio cultural para aliviar a saudade de imigrantes! Estamos fora para ganhar as nações! É um desafio para quem está acostumado a ir a encontros com centenas de pessoas a cada semana, perceber as coisas finas e dificílimas envolvidas na conquista das nações. Queremos entrar na África e estabelecer uma forte base naquele continente. Países como a Holanda, França, Espanha, países da América do Sul, Angola e Congo, são algumas das fronteiras que naturalmente estão surgindo diante de nós. Preciso da oração do nosso povo maravilhoso e dos nossos pastores para que os milagres de Deus continuem acontecendo e também da ajuda financeira de todos. Vamos implementar em cada igreja da Vinha uma oferta voluntária para missões mundiais. Um envelope ficará ao lado dos demais envelopes de dízimos e ofertas e cada membro que desejar poderá fazer parte diretamente desse avanço apostólico! Vamos juntos às nações!